O diário de uma viagem em sete atos, primeiro ato, Camboja.


 

(All photos by: jpaulo2k1@gmail.com)


1º ato – O diário de uma viagem em sete atos, primeiro ato, Camboja.


Entre tantas outras coisas que aprendi com o maridão, viajar é uma das mais extraordinárias, se não a mais de todas as outras. Conhecer outras geografias, outros costumes, outras culturas, artes, formas de estar, é alimento para a consciencialização de que nós seres humanos somos diversos, e que nessa diversidade resistimos há milhares de anos, e se é verdade que as culturas, modos de vida, língua e umas quantas mais caraterísticas nos separam, a condição de seres humanos que sobrevivem a este caos social é o ponto principal que nos une, e que devia bastar para sobrevivermos em paz, nessa partilha de conhecimentos.

 

Esta introdução quase que utópica serve para abrir caminho a esta minha/nossa última viagem, terminada faz mesmo muito pouco tempo. O destino foi Camboja, Laos e Vietnam, e para cada um destes destinos, visitados por esta mesmo ordem, houve sentimentos, vivencias, cenários criados a partir do que víamos, vontades sentidas pelo que experienciamos, e definitivamente certezas de coisas que o mundo vive, e tem vivido ao longo dos séculos que na minha perspectiva não fazem sentido algum.

Comecemos, pois, pelo princípio, o Camboja, onde a estadia curta em Siem Reap foi preenchida com visitas ao complexo de Angkor Wat, e aos mercados noturnos, sem deixar de fora a experiência gastronómica dos insetos, sapos e sapinhos.

Penso que nunca poderemos avaliar um povo, um país, apenas pelos locais que visitamos, decerto seria uma avaliação muito limitada, e restrita de um povo que será diverso, nas suas vivencias tendo em conta um sem número de fatores. Contudo e tendo em conta o que podemos visitar nesta paragem, confesso que o sentimento é uma espécie de “to-do list” e nesse caso, “done”, seja, não voltava a menos que estivesse perto – e desta vez contrataria um guia local para me falar da história dos monumentos, numa posição que eu pudesse escutar, e não com conversas paralelas entre “líder” e companheiros de viagem. Angkor que já conhecia muita da sua história através de dois ou três documentários que tinha assistido antes (por um acaso), é de fato um(s) monumento arrebatador na sua dimensão, ornamento e todo o ambiente que o circunda. Para mim mais espiritualista ao caminhar entre as ruínas, parecia de quando em vez, avistar guerreiros, elementos trajados até um não sei mais de elementos que os filmes, documentários, nos fizeram desenhar imagens mentais.

Dessa estadia em Siem Reap destaco a minha experiencia gastronómica, mais “selvagem”, a nossa ida ao mercado noturno levou-nos a experimentar insetos diversos (experimentei todos) além das rãs fritas e dos sapos assados na brasa – desta experiencia fica a minha classificação e até sentido de oportunidade: dos insetos o que mais me deu prazer degustar foi sem dúvida o gafanhoto, frito com um tempero de chupar os dedos, as rãs fez-me lembrar aquele carapau miudinho, que é frito e que devoramos cabeça e tudo, já o sapo sabe a galinha, e fiquei fã destes três elementos gastronómicos que aconselho a experiencia a qualquer pessoa que goste da descoberta, da aventura – adianto que não tive qualquer efeito gástrico.

Deixamos Siem Reap no quarto dia de viagem, bem cedinho, duas vãs aguardavam por nós, muito embora a loucura organizativa da nossa líder fosse outra – uma vã leva as malas, a outra as pessoas – claro que já tínhamos experienciado três dias de “organização” e por isso rapidamente um grupo foi para uma vã e outro para outra, afinal éramos 14 pessoas com a líder, e não havia razão para irmos todos numa, quando podíamos viajar a catrefada de quilómetros de forma mais confortável divididos pelas duas carrinhas – o destino Laos, e a ilha de Don Det, onde segundo a líder nos esperava um por do sol magnifico, …só que não!

A entrada em Laos é gira, porque as carrinhas onde seguíamos deixam-nos do lado do Camboja, temos de atravessar terra de ninguém até ao posto fronteiriço de Laos, onde procedemos às burocracias administrativas, para as quais todos nós estávamos já preparados. Sabíamos de antemão que poderíamos encontrar ações corruptas como a que encontramos, para obter o passaporte de volta tínhamos de pagar dois dólares, e foi o que todos fizemos, todos exceto a nossa líder, (devo confessar que no final não sei se pagou ou não, porque a falta de profissionalismo a mim dá-me gazes e por isso fui-me cagar para longe).

Então a nossa líder sem sabermos exatamente porquê (eu não sei, e nem quero saber), decidiu fazer frente ao guarda fronteiriço recusando-se a pagar os ditos $2 tendo mesmo, aqui alegadamente porque na vi, usado o telemóvel para filmar o guarda, que resultou ao que soube na subtração do telemóvel dela pelo guarda, diria com algum fundamento, estava escrito em todo o lado que era proibido filmar ou fotografar. Esta birra (falta de profissionalismo) resultou num atraso de algum tempo, algo perto das duas horas, que resultou em não haver nenhum por do sol a ser observado na nossa chegada a Nakasang, onde apanhamos uma barcaça que nos levou até à outra margem, seja, Don Det, (até porque tem muitas outras margens) e tudo porque alguém não soube separar batalhas pessoais do seu trabalho, e por isso penalizou todo o grupo.

Comentários

  1. A tua companhia e do Filipe foi uma aventura em si, uma diversão e aprendizagem que se transformou lentamente numa simpática e sincera amizade. Grande abraço para ambos

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    1. Partilhamos da mesma experiencia contigo, e obviamente com outras pessoas do grupo, aprendemos com todas o que gostamos e replicamos depois nas nossas interações diárias outras pessoas, e outras posturas que não queremos ter como pessoas - diz o velho ditado, "nas costas dos outros, leio as minhas", ...já agora contigo reforcei a minha admiração pela natureza - amei aquilo que intitulei de "ornitorrinco" a tua paixão pela água, também a tenho, mas muito longe do teu nivel, e uma coisa que quero para mim, essa capacidade de estar fora permanecendo dentro, essa para mim foi uma lição! Obrigado pela amizade, que quero que saibas é reciproca!

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