“Who wants to live forever”

 


“Who wants to live forever”

 

Eu não!

Que ideia absurda essa de viver para sempre, quem pensa assim nunca chegou aos 50.

 

Verdade que os poetas dirão que viver para sempre, é viver através da estrada que deixamos desenhada, dos toques que demos, o quanto tocamos aqueles que uma vez e outra fizeram esse caminho connosco, mas sejamos realistas, será que vale a pena viver para sempre?

 

Vejamos pelo lado físico da coisa – claro que não queremos viver para sempre, as articulações perdem lubrificação, os músculos esbatem-se e a gravidade mostra-lhes o caminho “way down” – podemos controlar os nossos pulmões e eles até responderem por mais tempo, mas como tudo o resto eles vão colapsar, respiramos mais devagar, e até as caminhadas baixaram de velocidade, e nem todas as oras são boas para caminhar.

 

Mesmo perante uma vida regrada e saudável, tudo vai diminuindo de velocidade, e todo o tempo é seu tempo, nada de pressas, …já tive pressa demais de ser adulto, se soubesse o que sei hoje!

 

Contudo e como falam os poetas, claro que queremos viver para sempre, queremos que o que quer que tenhamos feito nesta vida seja lembrado, usado como referencia, muito para além da nossa existência – enquanto estudante podemos ver isso todos os dias do nosso aprendizado, quando redigimos algo e referenciamos outros autores que refletiram antes de nós sobre os assuntos que também hoje desfiamos, e dizemos “como nos diz…”, ou “segundo…”, e seguimos justificados por pessoas que já partiram e continuam vivas através do seu trabalho, será para sempre, não sabemos, mas será decerto por muito mais que um tempo de vida.

 

Quando lemos Karl Marx, Durkheime, ou Kant, Descartes ou mesmo Nietzsche – quando olhamos a história do seculo passado, e sabemos dos massacres como aquele que foi executado segundo a ordem de Liopoldo II, quando sabemos que Greenwood foi bombardeada a mando da cobiça e do racismo também de Hoover, ou mais próximo de nós europeus, a Segunda Grande Guerra e o nojento que foi tudo, mas em particular o Holocausto, …será que olhando tudo isto queremos viver para sempre? Não haverá em nós uma sensação de um tempo de vida, a nossa, devia ter sido o bastante para quem tem o poder hoje, não repetisse os erros do passado, e podermos viver em paz hoje, no sentido da prosperidade evolutiva da tecnologia em comunhão com a natureza, e o que estamos a ver!?


Será então que queremos mesmo viver para sempre? Para assistir, vezes sem conta, ao mesmo erro com novos rostos? Quando de nada serviu todos os avisos, todas as críticas, todo o sangue antes de nós derramado por inocentes como nós!?

 

Eu não! Se é para repetir tudo isto, então não — não quero viver para sempre.


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