Medo, mesmo que subjetivo, mas não mais que isso!
Medo, mesmo que subjetivo, mas não mais que isso!
Inspirado
pela postura fantástica de um elemento do “Évora Pride”, penso que de seu nome “Ana
Cristina” https://www.facebook.com/reel/2992202810985027
, e depois de uma ida à casa de banho, conclui que estamos no caminho certo, no
caminho da visibilidade, a mesma que muitos da nossa comunidade se sentem incomodados
desde o inicio dos tempos da luta ocidental pelos direitos das pessoas
LGBTQIA+, estamos no caminho certo desde o inicio, porque mais que não seja, o
que não se vê não existe, e este tempo que vivemos é a prova provada disso
mesmo, se não tiras uma foto, de onde estás, o que comes ou que fazes e
publicas nas redes, isso não existiu, perceberam a comparação!? Assim se não
houver Marchas LGBTQIA+ se não houver bandeiras, nós, pessoas destas e todas as
demais letras que o mais representa, simplesmente não existimos, não somos
assunto, não somos prioridade nas leis várias que regem as dinâmicas da nossa
sociedade.
Depois
refletir sobre aquilo que nós pessoas LGBTQIA+, ciganos, africanos, pessoas portadoras
de deficiência e demais grupos, estamos a enfrentar com esta demanda, entre
propostas de lei que proíbem a LIBERDADE de uma autarquia, ou junta de
freguesia, por exemplo, demonstrar solidariedade e compromisso para com os seus
concidadãos e as suas demandas. Bem como o roubo de bandeiras ainda hasteadas
porque a lei não existe de fato. Estes comportamentos alem de revestidos de ignorância
por um lado, estão revestidos de “medo” pelo outro, sim isso mesmo, medo,
porque a visibilidade questiona, a visibilidade obriga a ter consciência de uma
existência, e quando se sabe que existe, tem quem questione como existem, em
que condições, e rapidamente descobrem que mesmo em pleno século XXI, algumas
dessas existências sobrevivem ao dedo fascista e prossecutivo da ignorância,
muitos atirados para as ruas porque uma alegada fé que fala em “amai-vos uns
aos outros como eu vos amei” decide amar mais uns que outros.
Entre
outras coisas, a hostilidade dirigida a símbolos associados aos direitos
LGBTQIA+ pode ser interpretada, à luz da psicologia social e da sociologia
contemporânea, como uma manifestação de ameaça simbólica. Não necessariamente
porque tais símbolos representem qualquer perigo objetivo para terceiros, mas
porque tornam visível uma transformação social que desafia normas, valores e
hierarquias tradicionalmente dominantes. Nesta perspectiva, a reação não emerge
da existência de um risco concreto, mas da percepção subjetiva de perda de
controlo, estatuto ou centralidade cultural.
Mas
que ameaça é essa? Se calhar a mesma que viveram (vivem) as mulheres na luta
pela igualdade. Quando essas mulheres, as primeiras, decidiram enfrentar o
patriarcado, esse mesmo patriarcado que ainda hoje domina, sentiu-se ameaçado,
mas como seria possível, agora uma mulher ser igual em direitos a um homem? Quantas
não foram as mulheres pioneiras que rasgaram universidades, profissões ditas
masculinas, quebraram parlamentos – mas olhemos a segunda grande guerra, quando
os homens foram mandados para a guerra a mão de obra escasseou em diferentes países,
os lugares nas fábricas em profissões ditas masculinas foram ocupadas por
mulheres, que tiveram de deixar filhos a cuidados estranhos, e levaram todos os
dias no coração que o seu trabalho ajudaria a trazer de volta o seu amado, são
e salvo!
Mas
o que aconteceu depois da guerra?
Isso
mesmo, os homens voltaram, reclamaram pelos seus lugares na indústria e as
mulheres que lhes fizeram frente, foram depois paulatinamente empurradas para
fora dessa produção, perderam valor, deixaram de ser uteis, foram de novo, frágeis
e femininas. https://www.youtube.com/watch?v=8c_ZTyBcE8M
A
bandeira LGBTQIA+ representa as mulheres que fazem frente a um status quo
dominado por um ideal masculino, que mais não é que uma representação mentecapta
do homem das cavernas se é que ele foi de fato assim, (outra discussão). A bandeira
LGBTQIA+ hasteada num qualquer estabelecimento público é um farol, cuja sua luz
ilumina muito mais que as pessoas LGBTQIA+, ilumina todos os demais grupos
socialmente discriminados, e que olhando para aquela bandeira se enchem de
coragem na reivindicação dos direitos que lhes assistem como pessoas sejam de
que grupo forem.
O
psicólogo alemão, Erich Fromm, dizia que o medo não surge apenas perante a
opressão; pode surgir também perante a liberdade dos outros – recordam o que disse
sobre as mulheres, o mesmo se passa connosco pessoas LGBTQIA+, os nossos passos
tardios na direção da LIBERDADE em todas as dimensões do seu significado
representa tal como no caso das mulheres, uma ameaça a essa instituição patriarcal
mundial, com o devido cuidado devemos acrescentar, ocidental, porque na verdade
muitos impérios nomeadamente africanos foram dirigidos por mulheres, (o reino
de Kush no Sudão; os povos Akan no Gana; ou o reino de Daomé no Benim) foram prósperos
até à chegada dos invasores.
Nós
pessoas precarizadas, socialmente precarizadas, negligenciadas nos corredores
dos poderes instituídos, quando aprendemos a andar, e a gritar de pleno pulmão,
representamos um "status threat" aos poderes instalados, e note-se,
instalados também por nós, que quais clientes da banha da cobra, tarde entendemos
a farsa.
Por
isso temos de aplaudir de pé a elemento do Évora Pride que na assembleia
municipal exigiu do infrator, cuja a cobardia lhe limitou a assunção do ato, e
ou a hombridade da correção, a bandeira que havia sido subtraída, acredite que
sabemos da ameaça que ela representa desfraldada ao vento, na CME e ou em
qualquer outro espaço, sabemos que a velhinha musica na voz de Ermelinda Duarte
ainda chateia, mas alguns de nós ainda vivemos para a recordar, e enquanto um
de nós cantar, essa ou outra canção hino de LIBERDADE o vosso obscurantismo ascoroso
de um machismo tóxico não passará.
https://www.youtube.com/watch?v=KcpwfOHn4P0&list=RDKcpwfOHn4P0&start_radio=1

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