A felicidade alheia incomoda tanto! Bravo Afonso!

 



“No final de um jogo de xadrez, o peão e o rei são guardados na mesma caixa!”

(provérbio)

 

Sempre escutei dizer que os provérbios, e os ditos populares, tem o seu quê de verdade, e no meio desse sentimento, existe para além da verdade a filosofia inscrita no significado desses dizeres.

Escolhi este provérbio para vos falar de uma coisa, que estes dias tem sido furor nas redes sociais, e não pelas melhores razões – porque é uma coisa tão presente posso até ficar confuso no desenvolvimento desta redação, mas vamos lá, com algum esforço eu e quem me lê conseguirá encontrar a mensagem que quero deixar.

Quantos jornais se vendem com uma desgraça?

Quantos jornais se vendem com uma excelente notícia?

Estatisticamente o primeiro vende mais, diz-se haver uma teoria que não é regra, no jornalismo que diz, "If it bleeds, it leads.", a desgraça abre mais facilmente o telejornal que a alegria ou a esperança, e não será tanto porque o ser humano seja perverso (na minha opinião até é), mas porque parece que a nossa atenção está biologicamente mais orientada para ameaças do que para boas notícias — um fenómeno conhecido como “negativity bias” também conhecido como efeito de negatividade, é um enviesamento cognitivo segundo o qual a cognição humana é relativamente mais afetada por um afeto negativo do que por um afeto positivo de igual intensidade.

O psicólogo Leon Festinger (08/05/1919-11/02/1989) fala da “Teoria da Comparação Social”, se repararmos as pessoas avaliam constantemente a sua própria vida comparando-se com os outros, muitos até fazem loucuras várias para tentar alcançar esse seu imaginário. Por isso quando alguém demonstra uma felicidade espontânea, pode provocar uma comparação involuntária: "Porque é que ele está tão feliz e eu não?", e essa comparação pode gerar desconforto, e não falta quem transforme esse desconforto em crítica. Por sua vez Norman T. Feather (27/07/30-28/10/23) fala-nos da “Tall poppy syndrome”, que penso se ajusta muito ao que quero explorar (a possibilidade de este texto descambar no verbo é real), ele diz que pessoas com notável sucesso ou conquistas públicas são ostracizadas por outros como uma forma de igualitarismo. O intenso escrutínio e a crítica a tal pessoa são denominados como "cortar a papoila alta", porque ao invés de fazermos por subirmos junto, tendemos a puxar para baixo quem sobe, bem na nossa lata, aquele que tem coragem de dizer sim à oportunidade, aquele que foca toda a sua energia na corrida ladeira acima, não é aplaudido, menos ainda incentivado, mas antes empurrado, puxado para baixo, rasteirado, ou descomungado no céu escancarado da web, e sobre os efeitos desse massacre, teríamos muito para ser dito, mas ficará para outras núpcias.

Recentemente um jovem de seu nome Afonso subiu a um palco onde a sua estrela maior atuava para com ela dançar a coreografia de uma das suas músicas de sucesso. Afonso não apenas executou a coreografia com preceito, como chegou a cantar com a sua cantora, Afonso terá vivido talvez o seu maior “rush” desta sua vida ainda curta, afinal não todos os dias que estamos em palco com o nosso artista favorito – eu sempre digo que se fosse a um desses programas de talento e tivesse a oportunidade de cantar com qualquer um dos júris, e se fosse o júri meu ídolo, eu já teria ganho o concurso, nem que vá para casa no mesmo instante.

Por isso todos aqueles comentários odiosos, fóbicos a diversos níveis revelam mais sobre quem os escreveu que sobre o fogo de artificio vivido por Afonso. Esses comentários não foram sobre a sua atuação, mas sobre uma alegada personalidade que nenhum dos autores lhe conhece, mas que conhecessem, ficaria de imediato a questão: - Em que medida a alegada orientação sexual do Afonso afeta a vossa? – pelos vistos afeta e muito, eventualmente a vossa miserável “rola” não subiu nos dias que se seguiram, e ou pelo contrário o vosso tesão que encontrou o vazio de uma sanita enquanto visualizaram um milhão de vezes o vídeo daquele jovem a brilhar numa imagem que no futuro vai sorrir e talvez dizer UAU! E então esta imagem ainda vos torna mais nojentos, incapazes de rebentar com as portas do vosso armário carunchoso decidem atacar quem vive a vida em toda a sua intensidade.

Dito tudo isto, deixo uma recomendação a essas pessoas que escrevem com letras de raiva porque fobia é doença, que visitem as suas vidas, que olhem lá para o fundo e decidam que vida querem continuar a viver – se uma vida de frustração ou se uma vida de corridas, sorrisos, alegrias, aplausos a si e aos demais – se optarem pela primeira parte, assumam a vossa falta de coragem de correrem atrás da vida, encarem dessa forma as consequências de viver não a vossa vida, mas a vida que alguns querem seja a vossa, e deixem quem conseguiu correr atrás, de quem teve a ousadia de escalar os palcos da vida, em paz, e se a vossa dor não permitir aplaudir porque vos dói os dedos de tantas vezes presos nas incontáveis tentativas de escancarar as portas dessa caixa feita cadeia, sorriam, e deixem estar, aproveitem e armazenem na vossa mente um pensamento próximo de “um dia serei eu”, gritem um BRAVO em silêncio no eco da  vossa mente, e quem sabe no mínimo conseguem esboçar um sorriso, que vos dirá, “não desistas!”.

 

Que interessa seres peão ou rei, que importa te revoltares com a coroa de alguém, se no final desta jogada que é a vida, acabamos TODOS guardados numa caixa!


ENG_____________________________________________________


"At the end of a chess game, the pawn and the king are kept in the same box!"

(proverb)

I've always heard that proverbs and popular sayings have a grain of truth, and within that sentiment, there's a philosophy inscribed in the meaning of these sayings.

I chose this proverb to talk about something that has been causing a stir on social media lately, and not for the best reasons – because it's so prevalent I might even get confused in developing this essay, but let's go, with some effort I and whoever reads this will be able to find the message I want to convey.

How many newspapers are sold with a tragedy?

How many newspapers are sold with excellent news?

Statistically, the first one sells more. There's a theory in journalism, though not a rule, that says, "If it bleeds, it leads." Misfortune more easily opens the news broadcast than joy or hope, and this isn't so much because human beings are perverse (in my opinion, they are), but because it seems our attention is biologically more oriented towards threats than good news—a phenomenon known as "negativity bias," also known as the negativity effect. It's a cognitive bias according to which human cognition is relatively more affected by a negative affect than by a positive affect of equal intensity.

The psychologist Leon Festinger (May 8, 1919 – February 11, 1989) speaks of the "Theory of Social Comparison." If we observe, people constantly evaluate their own lives by comparing themselves to others; many even do crazy things to try to achieve this imagined ideal. Therefore, when someone demonstrates spontaneous happiness, it can provoke an involuntary comparison: "Why is he so happy and I'm not?", and this comparison can generate discomfort, and there is no shortage of those who transform this discomfort into criticism. In turn, Norman T. Feather (July 27, 1930 - October 28, 1923) speaks of the "Poppy So-and-So Syndrome," which I think fits very well with what I want to explore (the possibility of this text descending into verbalism is real), he says that people with notable success or public achievements are ostracized by others as a form of egalitarianism. The intense scrutiny and criticism of such a person is called "cutting the high poppy," because instead of working together to rise, we tend to pull down those who do rise, right in our faces. Those who have the courage to say yes to the opportunity, those who focus all their energy on the uphill race, are not applauded, much less encouraged, but rather pushed, pulled down, tripped up, or banished from the wide-open sky of the web. And we could say a lot about the effects of this onslaught, but that will have to wait for another time.

Recently, a young man named Afonso went up on stage where his biggest star was performing to dance the choreography of one of her hit songs. Afonso not only executed the choreography flawlessly, but he even got to sing with his singer. Afonso may have experienced the greatest "rush" of his still short life; after all, it's not every day that we're on stage with our favorite artist – I always say that if I were on one of those talent shows and had the opportunity to sing with any of the judges, and if the judge was my idol, I would have already won the competition, even if I went home immediately.

Therefore, all those hateful, phobic comments on various levels reveal more about those who wrote them than about the fireworks display Afonso experienced. These comments weren't about his performance, but about a supposed personality that none of the authors know, but that they did know. The question immediately arises: - To what extent does Afonso's supposed sexual orientation affect his? – apparently it affects you a lot, eventually your miserable “dick” didn’t get hard in the days that followed, or on the contrary, your lust found the emptiness of a bathroom while watching a million times the video of that young man shining in an image that in the future will make you smile and maybe say WOW! And then that image makes you even more disgusted, unable to blow open the doors of your rotten closet you decide to attack someone who lives life to the fullest.

Having said all that, I leave a recommendation for those people who write in anger because phobia is a disease: that they examine their own lives, look deep inside and decide what kind of life they want to continue living – a life of frustration or a life of running, smiles, joy, applause for themselves and others – if they choose the first part, acknowledge their lack of courage to chase after life, face the consequences of living not their own life, but the life that some want to be theirs, and leave those who managed to chase after it, those who had the audacity to climb the stages of life, in peace. And if their pain doesn't allow them to applaud because their fingers ache from countless attempts to throw open the doors of this prison-like box, smile, and let it be. Take advantage of this and store in your mind a thought close to "one day it will be me," shout a silent BRAVO in the echo of your mind, and perhaps at the very least manage to sketch a smile that will tell you, "no." Give up!

What does it matter if you're a pawn or a king, what does it matter if you rebel against someone's crown, if in the end, in this game that is life, we ALL end up locked in a box!


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