Mensagens

A mostrar mensagens de março, 2026

Entre Números e Silêncios: A Miséria que Portugal Não Conta

Imagem
  (Chad Knight) Entre Números e Silêncios: A Miséria que Portugal Não Conta Há números que tranquilizam.  E há números que deviam inquietar.  Em Portugal, escolhemos, demasiadas vezes, ficar pelos primeiros. Fala-se em cerca de 14.476 pessoas em situação de sem-abrigo. Fala-se em 15,4% da população em risco de pobreza — aproximadamente 1,6 milhões de pessoas. Números oficiais, medidos, publicados, discutidos. Números que parecem sólidos. Números que cabem em relatórios, gráficos e discursos políticos, mesmo que não passem daí, com exceção de épocas medidas de quatro em quatro. Mas há uma pergunta que raramente é feita com a seriedade que merece: quantos ficam de fora desses números? Porque há uma realidade paralela, invisível, que não entra nos inquéritos, não responde a questionários, não aparece nas estatísticas. Pessoas que dormem dentro de carros estacionados em ruas discretas. Que vivem em garagens emprestadas. Que saltam de sofá em sofá. Que partilham casas sobrelot...

7 º e último ato– Hoi An: uma sala de visitas aberta ao mundo

Imagem
  7 º ato – Hoi An: uma sala de visitas aberta ao mundo Hoi An, é aquele lugar onde quereríamos viver, que podemos chamar de nosso, sabendo porem que a ele aflui um milhão de nacionalidades, e que todos os dias podes encontrar alguém diferente, de uma outra geografia, com uma outra língua, outras definições físicas, como se vivêssemos permanentemente numa vasta sala de visitas. Mas antes mesmo de nos sentarmos nessa grande sala de visitas que é Hoi An, tenho que vos contar essa viagem de Sleep Bus. Tivemos quase um autocarro só para nós, pois afinal deitados não cabemos muito mais que 14 pessoas, pensava eu mas nada disso – dois níveis, um lado com 16 camas, o outro com mais duas (18), e uma casa de banho – só entras depois de descalçar o que tenhas calçado e colocado esse calçado num saquinho que te é dado para o efeito, e depois vais para a tua cama, está assinalada no bilhete, e lá tens ar condicionado, tv (não serviu de muito), uma almofada e uma manta – podes correr as cor...

PSD (Governo), "cheganos" e CDS-PP na demanda retrograda e ignorante de restringir LIBERDADES

Imagem
  PSD (Governo), "cheganos" e CDS-PP na demanda retrograda e ignorante de restringir LIBERDADES A apresentação de projetos de lei que visam restringir o reconhecimento legal da identidade de género de pessoas trans levanta preocupações profundas, não apenas no plano jurídico, mas também no ético, social e humano. Ainda que esses projetos possam diferir nos seus detalhes, partilham uma base comum: a tentativa de reverter avanços que resultaram de décadas de luta por dignidade, reconhecimento e igualdade. Do ponto de vista dos direitos civis, estas propostas representam um claro retrocesso. O reconhecimento legal da identidade de género não é um privilégio nem uma concessão ideológica — é um mecanismo fundamental de proteção da dignidade humana. Retirá-lo ou condicioná-lo significa expor pessoas já vulneráveis a maiores níveis de discriminação, exclusão e violência simbólica e material. Mas o problema vai além da letra da lei. Na psicologia, existe um corpo robusto de evidência...

6 º ato – Tam Coc: entre arrozais, remadas com os pés e montanhas de filme

Imagem
  6 º ato – Tam Coc: entre arrozais, remadas com os pés e montanhas de filme Tam Coc veio a seguir, Cat Ba foi deixada com relutância, e a sua imagem, enquanto o tio Alzheimer deixar, fica gravada para ser revivida um trilião de vezes de olhos fechados. Tam Coc para mim deixou um "mistério" – onde se passa a festa, onde é a suruba toda, isto porque Tam Coc estava pejada de jovens, muitos jovens, e que nós déssemos conta, ali não havia nenhum parque de diversões com moedinha, nem discotecas, por isso para onde ia aquela gente,…fiquei intrigado! Ficamos alojados em Ninh Hài, a tal localidade onde vagueava tanta juventude, e depois de lá chegar e nos alojarmos, lá fomos jantar, porque no dia seguinte atividades emocionantes esperava-nos. Alvorada, que esta coisa de turista ficar a dormir só se for turista de longa duração, porque malta com tempo contado precisa dar à perna, seguimos até à pracinha onde de noite há o mercado noturno – confesso que não me lembro bem dele, ha...

5 º ato – Hanói, com uma chuva persistente e teimosia de turista (15km depois)

Imagem
  5 º ato – Hanói, com uma chuva persistente e teimosia de turista (15km depois) Sejam bem-vindos à capital do Vietnam, Hanói (ou, Hà Nöi), que confesso que esta minha aversão a grandes cidades, não me fez esperar dela grande coisa, e a chuva que esteve durante o tempo que lá estivemos, não ajudou, nem o fato de termos ficado sem água fria no hotel, que limitou em medida, desfrutar com outro animo esta cidade fantástica, que visitamos mesmo debaixo de chuva. Acompanhamos o grupo até uma experiencia que eu como normal queria ter, café com ovo, no “The Note Coffe” que se não bastasse a iguaria, o espaço devia ser considerado museu, património de todos os movimentos de paz no mundo, de tantas mensagens redigidas em coraçõezinhos coloridos com as cores da bandeira gay, ou a bandeira da alegria como já alguém disse ser para vender pins na Abraço do Porto, faz muitos anos, lindo, porque até poderia ser mesmo, a bandeira da alegria, da celebração de todas as cores, e por ai íamos,… Re...

4 º ato – Luang Prabang: onde o tempo aprende a andar devagar

Imagem
  4 º ato – Luang Prabang: onde o tempo aprende a andar devagar Luang Prabang foi o destino dessa viagem de comboio, mais uma paragem que reafirma a minha impressão geral desta descoberta, Laos, continua a dar cartas como um dos destinos mais cativantes, dos três países que visitamos (pelo menos até ao momento). Antes mesmo de vos descrever esta “perola” de Laos, devo confessar que não ter lido o programa da viagem foi viver a mesma em primeira mão, sem expectativa, porque se tivesse lido, acreditem que partes da viagem teriam sido um pesadelo. Luang Prabang é uma espécie de estância de férias para cotas como eu, temos a presença europeia dos franceses quer na arquitetura, quer em alguns pormenores da gastronomia, ao mesmo tempo que desfrutamos as iguarias asiáticas, vive-se um ritmo pausado, mas continuo dos locais, e da tradição que mesmo estando contaminada pelo capitalismo turístico, nos proporciona um vislumbre de como seria se fosse mais real. Fizemos o nosso primeiro a...

3 º ato – Cascatas, cafés e “radicais livres” em Vang Vieng

Imagem
  3 º ato – Cascatas, cafés e “radicais livres” em Vang Vieng Mas não desesperem, no dia seguinte espera-nos mais uma viagem de carrinha até Tad Gneuang Waterfall, uma cascata monumental com uma lagoa bem tranquila na sua base que claro está o nosso “ornitorrinco” de serviço não demorou a banhar-se, este foi um companheiro de viagem muito tranquilo, muito na sua sem deixar de estar no grupo, gostei de conhecer o senhor enfermeiro. Almoçamos aí mesmo no topo da cascata, rodeados de um verde imenso, até perder de vista. Dali demos um salto a dois spots onde o café faz inveja a qualquer um que alguma vez tenha bebido no nosso país. O primeiro spot é um café que o que podemos ver é a sobrevivência a uma guerra que como todas as demais não deviam nunca ter existido. Este café é a memória viva da devastação das bombas, elementos que hoje são decoração, em conjunto com morteiros e outra artilharia, que depois dá lugar a um balcão onde a tecnologia te informa que o teu café está pro...

2º ato – Mekong: entre o paraíso e correntes traiçoeiras

Imagem
  2º ato – Mekong: entre o paraíso e correntes traiçoeiras Em Don Det foi a pura da loucura, esperava-nos uma espécie de rio abaixo de caiaque, e não foi um rio qualquer, estamos a falar do majestoso Mekong, mas isso só no dia seguinte. Logo pela manhã eu e o maridão fomos dar um passeio a pé pela ilha, afinal ainda faltava para a hora marcada. mais tarde então e já todos de pequeno-almoço tomado aí fomos nós cada dois no seu caiaque, com duas ou três exceções sábias (mais à frente vão perceber porquê), que seguiram com um guia local. Para mim em particular foi recordar o rio Tejo, e o meu tempo de marinha, mas também os inúmeros rios que eu, o marido e a nossa amiga Lauren temos feito de stand up paddle. Navegamos até determinado ponto, depois perseguimos a pé até uns cascatas, e dai até ao novo ponto (13.949889, 105.946285) onde voltávamos ao remo cam inhamos mais um pouco, nesse novo spot desfrutar de um picnic organizado, e gostoso, onde fomos visitados por uma cobra mesmo no f...

O diário de uma viagem em sete atos, primeiro ato, Camboja.

Imagem
  (All photos by: jpaulo2k1@gmail.com) 1º ato – O diário de uma viagem em sete atos, primeiro ato, Camboja. Entre tantas outras coisas que aprendi com o maridão, viajar é uma das mais extraordinárias, se não a mais de todas as outras. Conhecer outras geografias, outros costumes, outras culturas, artes, formas de estar, é alimento para a consciencialização de que nós seres humanos somos diversos, e que nessa diversidade resistimos há milhares de anos, e se é verdade que as culturas, modos de vida, língua e umas quantas mais caraterísticas nos separam, a condição de seres humanos que sobrevivem a este caos social é o ponto principal que nos une, e que devia bastar para sobrevivermos em paz, nessa partilha de conhecimentos.   Esta introdução quase que utópica serve para abrir caminho a esta minha/nossa última viagem, terminada faz mesmo muito pouco tempo. O destino foi Camboja, Laos e Vietnam, e para cada um destes destinos, visitados por esta mesmo ordem, houve sentimentos, vive...